Alunos do SENAI CETIQT e empresários se encontraram, no dia 22/11, na Unidade Riachuelo, para a apresentação final dos nove projetos focados no segmento têxtil e de confecção, elaborados a partir do Projeto Biostartups Moda, realizado em parceria com o Sebrae/RJ. Durante seis meses, equipes multidisciplinares, formadas por alunos e egressos dos cursos técnicos e das graduações de Design de Moda, Engenharia Química e de Produção, orientadas por professores da instituição, desenvolveram soluções com temas ligados a produtos inteligentes e resíduos têxteis. Os participantes também tiveram treinamentos sobre Business Model Generation, Lean Startups, Design Thinking e Customer Development.

“O projeto foi criado buscando identificar soluções ecoinovadoras para responder às tendências do mercado globalizado, aumentando a produtividade, a competitividade e a sustentabilidade da cadeia produtiva da moda. Os alunos receberam orientações tecnológicas nas plantas e laboratórios do SENAI CETIQT, o que enriqueceu muito o aprendizado e o desenvolvimento das futuras startups”, afirma o coordenador do projeto e de Inovação Educacional do SENAI CETIQT, Bernardo Queiroz.

A coordenadora de moda do Sebrae/RJ, Fabiana Pereira, contou durante o encontro que esse projeto foi feito por muitas mãos. “Nós entendemos que é importante apoiar esse trabalho porque precisamos criar uma ponte entre o que está sendo discutido na universidade, o que realmente a indústria da moda precisa e quais são os desafios dessa indústria. Queremos fazer cada vez mais e melhor, sem causar tantos danos”, comemorou. A iniciativa faz parte de um projeto do Sebrae/RJ chamado “A Nova Era da Moda”, que busca incentivar uma moda mais justa, eficiente e que conviva melhor com o meio ambiente.

As equipes mostraram seus projetos em pitches (apresentação direta e curta, com o objetivo de vender a ideia da startup para investidores) de três minutos. As inovações foram diversas indo desde o desenvolvimento de corantes naturais a partir de resíduos vegetais até a produção de revestimentos de pisos com o reaproveitamento de resina, fibra sintética e pneu.

Uma das empresas parceiras presentes no evento, a diretora do Instituto-e, Nina Braga, parabenizou o SENAI CETIQT pela iniciativa. “A indústria têxtil gera um grande passivo ambiental, por isso, é tão importante que esses jovens, que estão começando a carreira, já comecem a pensar na sustentabilidade. Hoje é comprovado que 20% dos efluentes que saem das atividades industriais provém da indústria têxtil, então, usar tingimentos orgânicos e/ou naturais, por exemplo, é fundamental para diminuir esse índice e, consequentemente, esse passivo ambiental. É uma forma de incentivar uma indústria que é a segunda maior empregadora no Brasil”, ressaltou Nina.

Após as apresentações, os produtos desenvolvidos pelas equipes foram expostos no hall do edifício José Alencar. Nesse momento, os alunos tiveram a oportunidade de explicar mais detalhadamente suas ideias para os investidores, que percorreram conhecendo de perto as inovações. O Diretor da empresa de moda fitness e swimwear Tropical Land, Mario Papadopoulos, que acompanha o projeto desde o planejamento, veio de Petrópolis para conhecer os projetos. “A nossa empresa já faz o tratamento de resíduos como plástico, papelão, tecidos. Hoje, temos um descarte em torno de quatro toneladas de resíduos sólidos por mês e, apesar de já me preocupar com isso há mais de dez anos, ainda tem muito para andar. Os projetos apresentados ainda estão embrionários, mas essa consciência tem que começar no meio acadêmico primeiro”, enfatizou Mario, que deixou ainda um desafio para as próximas edições do projeto: “Precisamos criar biostartups que cuidem dos grandes volumes descartados pelas indústrias”.

Nina Braga, que também é uma das mentoras do Programa de Mentoria do SENAI CETIQT, se disse honrada por ter contribuído com o projeto Biostartups Moda. “O que diferencia o SENAI CETIQT de outras instituições são esses programas e oportunidades que os alunos têm de colocar a mão na massa”, concluiu.

As apresentações contaram com a participação de representantes de diversas empresas como DeMillus, DeLaurentis, Movin, Maria Filó, Pólen, Sai do Papel Incubadora, Toreg, Nidas e Firjan. A apresentação das futuras startups foi apenas o início das ações de empreendedorismo do SENAI CETIQT. Em 2019, a instituição investirá em novos projetos e continuará apoiando os grupos para que se tornem startups, por meio da incubação no Fashion Lab (laboratório aberto que será inaugurado no próximo dia 18/12).

Conheça os projetos das Biostartups que foram apresentados:

Abricó: O projeto tem o objetivo de produzir sapatos de maneira sustentável e ecológica, por meio da reutilização de pneus e outras borrachas, passando por processos químicos. Também é feito o reaproveitamento de tecidos e/ou couro para o cabedal. (Alunos: Vanessa Camacho Bezerra Barros, Amanda Bretas Almeida, Leonardo Ferreira Sabbadim e Vitor Hugo de Oliveira Andrade)

Adere: Produzir pisos a partir da combinação de resina, resíduos de fibras sintéticas e de pneus, que já não fazem parte de uma cadeia produtiva, dando um destino sustentável e proporcionando uma pisada mais segura. (Alunos: Anne Veloso Dias, Ingrid Dantas da Silva, Lisandra Heredia Barbosa, Gabriela dos Santos Correa e Amarillis Marriel dos Santos)

Arte Fato: Artefatos feitos com tecidos de origem naturais que necessitam de pouco beneficiamento e recebem um tingimento natural a partir de resíduos do café. Esse tingimento especial foi desenvolvido com reagentes orgânicos, como a oxidação de metais e materiais culinários, possibilitando mais uma forma de reaproveitamento com parafusos e placas enferrujadas. (Alunas: Nathália de Souza Correa Silva, Ilva Helena Mendes Salgado de Castro, Camila de Góis Alves, Gabrielly da Silva Hage, Bruna Nascimento Mafra da Silva e Beatriz de Moraes Pereira Boechat)

Biocor: Produzir corantes naturais de qualidade com variedade de cores e alto valor agregado, a partir de resíduos vegetais coletados em hortifrútis. O resultando são corantes naturais de custo acessível a todas as empresas que queiram contribuir com a sustentabilidade e reduzir o impacto ambiental. (Alunas: Carine Dias Botelho Benholiel Lopes da Silva, Rafaela Naegele, Marina Mikalauskas Dias e Vanessa Ribeiro de Souza)

Green Palm:  O objetivo é produzir solados/palmilhas por meio de resíduos têxteis gerados pela indústria de moda. Desta forma, os produtos que seriam descartados são reinseridos no ciclo produtivo dando um novo fim aquela matéria prima que seria queimada ou jogada em aterros. (Alunos: Ana Beatriz Loureiro Gonçalves da Silva, Gustavo Luiz Xavier Rocha, Rodrigo dos Santos Cardoso, Thamires Beloni Moreira da Silva, Viviane Nascimento do Espírito Santo e Larson da Silva de Lemos)

Helpet: Linha de roupas pós-cirúrgica para cães que possui ergonomia, modelagens adaptáveis e grades adequadas à espécie, melhorando o bem-estar e a recuperação do animal, facilitando assim a vida do tutor. (Alunos: Thays Guimarães Pantaleão, Fernanda Victorino Dias e Caroliny de Araujo Teles)

HTex: Desenvolvimento de um produto que tem a capacidade de ser repelente a água e aos mosquitos, dando assim características únicas. (Alunas: Yla Grazielly Fogassa Haddad, Jhessica Sthephany Rocha do Nascimento e Stephanie Barrozo Neres)

Revert: Promove alternativas ecológicas para os excedentes têxteis de pequenas e médias empresas. Dentre os tecidos a serem recolhidos, está o algodão. Será realizado um tratamento bruto, desfibrilando e tecendo para formar outro tecido. Também serão agregados o poliéster e a poliamida, que receberão tratamento químico e injetando em moldes para confecção de aviamentos. (Alunas: Gabrielly Christiane da Silva Serrano, Yasmin Fernandes Cabral, Julia Rodrigues Santo Katag Los e Thais Carina Barreto Rosales)

Rubber Boom: Criação de um novo produto que busca proporcionar outro fim que não seja o lixo para os calçados. Rubb é a mistura de alguns polímeros com a sola descartada desses calçados virando assim uma liga polimérica que tem propriedades parecidas com as da borracha, porém com características melhoradas como a durabilidade, a maleabilidade e a dureza, além de possuir um menor preço, sendo bastante atrativo no mercado. (Alunos: Daniel Gomes Pereira, Matheus Campos Tenório de Souza, Raquel Rangel de Moraes Cunha e Jonathan Pereira Peixoto).

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