Denim Day é palco de criatividade e sustentabilidade com o uso do jeans durante o ENAT 2025

Publicado por: Jaqueline Cruz | Data da publicação:19/11/2025 | Última atualização: 19/12/2025

Publicado por: Jaqueline Cruz | Data da publicação:19/11/2025
Última atualização: 19/12/2025

Na última quinta-feira (13/11), o Vogue Square Design Hotel, na Barra da Tijuca, foi palco de muita criatividade durante a terceira edição do concurso Denim Day, como parte da programação do 33º Encontro Nacional de Tecelagem e Confecção (ENAT). O desfile, totalmente voltado para a produção de roupas em jeans, contou com a presença de alunos, professores, familiares e representantes do setor têxtil.
 

Idealizado pela Faculdade SENAI CETIQT, com o propósito de estimular a capacidade técnica e o conhecimento dos estudantes do curso de Design de Moda em relação ao uso do jeans, durante o processo criativo de um produto de moda, o concurso teve a participação de seis duplas que desenvolveram coleções com modelagens exclusivas.
 

Ao relacionar as produções com o macrotema do ENAT 2025 (Regenar), as peças abordaram diversas temáticas que abrangeram desde a sustentabilidade, passando por pertencimento, renovação, autovalorização, relação entre o homem e natureza, entre outras temáticas. Ao total, três duplas conquistaram os três primeiros lugares, que levaram para casa troféus personalizados e premiações fornecidas pelas empresas apoiadoras do evento.
 

Para as alunas Jhulie Borges e Eduarda Costa, que conquistaram o primeiro lugar com a coleção “Corpos em Chamas”, a experiência durante a participação no concurso contribui para o aprendizado prático, que será refletido na carreira.
 

“É meu terceiro ano consecutivo participando do Denim Day. É a primeira vez que eu fico em primeiro lugar e estou muito feliz. Sempre carrego muita aprendizagem, porque é só assim que a gente aprende: fazendo. Então, o curso é uma grande contribuição da nossa faculdade”, comentou Jhulie.
 

Ao deixar um recado para outros estudantes que desejam participar das próximas edições, a mensagem foi clara: participe do concurso.  

“A gente aprende muito mais participando de uma coisa assim. Botando a mão na massa mesmo, vendo o que dá errado, o que fazer para resolver e tal. E eu acho que no concurso você fica muito livre para fazer o você quiser, para experimentar, para trabalhar com a sua criatividade, aconselhou Eduarda.

 

Confira os conceitos das produções vencedoras
 

Corpos em Chamas

A coleção “Corpos em Chamas”, criada pelas alunas Jhulie Borges e Eduarda Costa e que conquistou o primeiro lugar, é uma proposta artística e de moda que revisita as memórias de um período em que as mulheres eram perseguidas e julgadas pela intolerância. Aqui, a ideia central é ressignificar essa narrativa dos períodos de opressão por meio da expressão criativa.

O conceito das peças gira em torno da regeneração, destacando a reconstrução que habita o feminino. A coleção utiliza o jeans como base, explorando referências históricas, silhuetas clássicas e técnicas manuais, recortes, bordados e aplicações que simbolizam resistência e reconfiguração profunda.

 

Ataraxia

Elaborada por Karine Guedes e Rian Campos, a coleção “Ataraxia” nasce do significado da palavra que remete à “quietude plena da alma” e propõe um diálogo entre dois polos: os sete pecados capitais (orgulho, ganância, ira, inveja, luxúria, gula e preguiça) e a regeneração da alma humana.
 

A narrativa da coleção parte da ideia de que os pecados não são apenas erros, mas pontos de partida para uma jornada de superação, transformando símbolos de falhas humanas em expressões artísticas que ressignificam esses conceitos. A utilização do jeans, os cortes limpos e estruturados, e as sobreposições remetem à proteção e a aposta em peças oversized simbolizam o conforto e acolhimento.
 


 

Bioma Humano

A coleção “Bioma Humano”, desenvolvida por Petra Vilela e Lívia Estácio, explora a relação entre o ser humano e a natureza, apostando na criação de uma moda inovadora e sensorial. A metáfora visual aborda a ideia de que o corpo humano é um bioma vivo, em constante troca com o ambiente, propondo uma jornada de reconexão e ressignificação, que conecta moda, arte e natureza.
 

As peças evidenciam texturas, formas e cores que remetem a elementos orgânicos, como raízes, fibras, musgos e estruturas minerais, sugerindo que a natureza invade e transforma o corpo humano, e vice-versa. A estética da coleção mistura streetwear com técnicas artesanais, como um convite à sustentabilidade.

 

 

Para a dupla Petra Vilela e Lívia Estácio, atualmente no sexto período do curso de Design de Moda, todo o esforço dedicado longo do processo criativo é recompensado ao ganhar vida na passarela.

“Vale muito a pena. Você vai gastar muitas horas, vai se estressar, mas no final sempre vale a pena. É surreal você poder ver algo que é seu na passarela. É uma experiência de outro mundo. Você tem que aproveitar enquanto está na faculdade para você se expressar, porque no mercado não é assim”, afirmou Petra.

O desfile contou com o apoio de empresas como a Canatiba Têxtil, responsável pelo fornecimento do jeans utilizado pelos alunos e pelas bolsas oferecidas como brinde aos participantes do concurso, e da HiTech, que disponibilizou beneficiamentos químicos em lavanderia e equipamentos de alta tecnologia para a produção das peças apresentadas.