GEP - Herança africana na moda é pauta em mais uma edição do Africanidades na Faculdade SENAI CETIQT
Herança africana na moda é pauta em mais uma edição do Africanidades na Faculdade SENAI CETIQT
Publicado por: Jaqueline Cruz | Data da publicação:06/11/2025 | Última atualização: 07/11/2025
Publicado por: Jaqueline Cruz | Data da publicação:06/11/2025
Última atualização: 07/11/2025
A Faculdade SENAI CETIQT promoveu, no dia 04 de novembro, em seu campus localizado na Barra da Tijuca, mais uma edição do evento Africanidades, que contou com uma programação repleta de atividades voltadas para a valorização da história e cultura afro-brasileira. Entre as ações, foram realizadas oficinas criativas e palestras reflexivas sobre a herança e as contribuições dos saberes africanos aplicados na moda.
Realizado na semana em que também é celebrado o dia do Designer (5/11), o encontro, que também teve transmissão via Youtube, contou com a abertura realizada pela professora de Design de Moda, Cristiane Santos, orientadora da disciplina de extensão da instituição responsável por organizar o evento.
Logo em seguida, a roda de conversa intitulada “A importância do designer negro na moda” reuniu importante nomes do design de moda, como Monica Sampaio, fundadora da marca de slow fashion Santa Resistência; Ítalo Willian, criador da marca O Tal do Bonequinho, inspirada nas raízes cariocas; Lidyane Souza, ativista do coletivo Rede Nacional de Mulheres Negras; e Charllene Santos, consultora de moda no Instituto SENAI de Tecnologia do SENAI CETIQT.
Representatividade na moda
Juntos, o grupo debateu sobre a necessidade de ampliar as narrativas dentro do universo da moda, dando ênfase para o reconhecimento das contribuições trazidas por meio da cultura e das técnicas herdadas do continente africano. Também abordaram mais detalhes sobre as suas trajetórias, conceitos e processos criativos, bem como a perspectiva da moda pela antropologia.
A representatividade também foi pautada durante roda de conversa, com destaque para o papel da moda na formação do individuo e do coletivo, possibilitando que novos profissionais tenham a oportunidade de encontrarem referencias nesses espaços.
“Então, hoje, eu entendo o meu lugar, eu entendo que ser a criadora da marca Santa Resistência, carregar esse nome e essa ancestralidade para a moda, na maior semana de moda da América Latina, é uma forma para que as pessoas que estão se formando digam: “É possível. Eu posso estar lá!”. Então, o que era impossível, hoje não é. Hoje, nós já temos várias referências na moda”, afirmou Monica Sampaio durante o encontro.
A moda como tecnologia ancestral
Durante a conversa, os participantes também puderam refletir sobre a participação e a herança africana refletida na moda, pela perspectiva da antropologia. A partir desse ângulo, são analisados elementos que contribuem para a criação das peças finais, como a expressão de identidade, a história e cultura, a tradição e a preservação de saberes e técnicas e consciência ambiental.
Em sua fala, a ativista e pesquisadora de relações étnico-raciais Lydiane Souza, que participou de forma remota, apresentou as suas linhas de pesquisas em seus estudos, conectando moda e intelectualidade. “Uma das minhas defesas é a moda enquanto tecnologia ancestral. E quando eu falo sobre isso, é exatamente esse lugar de ser tecnológico do saber fazer, mas ele é ancestral por ser passado de mães e avós”, comentou.
Complementando a sua fala sobre os estudos referentes à ancestralidade na moda e sociedade, Lydiane aborda as particularidades que encontrou ao longo de sua jornada acadêmica. “Eu falo da moda enquanto esse fazer artístico, esse fazer comunicativo, mas também esse fazer tecnológico e ancestral. E não é uma tarefa muito simples, digamos assim, porque estudar moda dentro da antropologia não é a pauta. Então, é um desafio muito grande estudar uma temática que ela não está dentro da pauta da disciplina”, explicou a pesquisadora.
Africanidade que inspira e se torna referência
A abordar a importância do designer negro na moda, temática principal do encontro, os convidados citaram as referências e inspirações trazidas pelos povos negros, que perpetuam até os dias atuais. Para a consultora de moda e confecção do SENAI CETIQT, Charllene Santos, a participação ativa da comunidade se torna um caminho para o sentimento de pertencimento.
“Como foi falado no africanidades, muito do contexto que temos hoje, na moda do Brasil, vem dos povos negros, vem da África, de outros lugares. Então, muito do que a gente tem hoje, que a gente usa e o que a gente fala, o que a gente consome vem do povo preto. Então, além de quebrar barreiras, a gente precisa pertencer e ocupar espaços”, afirmou a consultora.
Ainda sobre como essas referências ancestrais são refletidas em suas criações, o designer de moda Ítalo Willian, fundador da marca “O Tal do Bonquinho”, apresentou um pouco sobre mais como a sua história de vida, o bairro em que nasceu e a sua perspectiva de mundo enquanto um homem negro contribui para o seu processo criativo.
“No meu processo criativo, a gente joga um norte lá de coleção e eu precisava falar de rocha Miranda, onde eu fui nascido e criado. Então, trouxe todas as minhas narrativas ali enquanto adolescente e pré-adolescente, e tive a felicidade de cria-las em estampas”, comentou o empreendedor.
Oficinas práticas criativas e descoloniais
Além do momento de reflexão durante a roda de conversa, a programação do evento também contou com atividades práticas que exploraram a criatividade dos convidados, como oficinas de macramê, de afetocolagem (colagens descoloniais) e serigrafia.
Além dos alunos e público externo, as oficinas receberam integrantes atendidas pela associação de assistência social Lar Fabiano de Cristo, vindas das unidades Casa Francisco de Assis e Casa de Mãe Marocas. Na associação, o grupo já desenvolve atividades voltadas para a moda e costura.
Confira mais imagens do encontro abaixo: