GDES - SENAI CETIQT promove 1ª edição do Simpósio de Economia Circular na Semana Nacional da Ciência e da Tecnologia
SENAI CETIQT promove 1ª edição do Simpósio de Economia Circular na Semana Nacional da Ciência e da Tecnologia
Publicado por: Beatriz Rabetti | Data da publicação:13/05/2025 | Última atualização: 13/05/2025
Publicado por: Beatriz Rabetti | Data da publicação:13/05/2025
Última atualização: 13/05/2025
O evento contou com palestras de representantes da PUC, UFRJ, UNU, Upcycle Brasil e do Núcleo de Sustentabilidade e Economia Circular (NUSEC) do SENAI CETIQT
Dia de 18 de outubro, no Fashion Design Hub, da faculdade SENAI CETIQT, diversos alunos puderam testemunhar a importância da Economia Circular nos dias atuais. Com uma série de palestras, o evento contou com a participação de especialistas no assunto: José Carlos Pinto, professor de Engenharia Química na UFRJ; Susanne Hoffmann, professora da UFRJ; Camila Costa, responsável pelo NUSEC; Aline Souza, Agente de Inovação na Inova UFRJ; João Victor Azevedo, professor de Design na PUC; Doutor Fabrício Soler, Consultor Jurídico da ONU; e Diego Iritani, CEO e fundador da UpCycle Brasil.
O evento teve como objetivo despertar o interesse dos alunos por esse tópico atual e frequente. O SENAI CETIQT, como promotor não apenas da indústria, mas também da educação, desempenhou um papel fundamental ao fomentar o diálogo entre a academia e as empresas.
“A economia circular vem sendo discutida de forma recorrente, e muitos ainda não entendem a sua amplitude. Tivemos a ideia de trazer pessoas da área da educação, não somente do SENAI CETIQT, mas de outras instituições para esse diálogo. A partir disso, podemos descobrir o que as instituições têm pesquisado, o que as empresas têm feito e como podemos transformar os cenários”, afirma Erika Soto, Coordenadora de Curso no SENAI CETIQT.
Iniciando a discussão, o professor José Carlos apresentou o Grupo de Pesquisa Engepol da UFRJ. Diante de uma realidade em que o consumo excessivo do plástico continua a crescer, estima-se que até 2030 a sociedade terá produzido cerca de 15 bilhões de toneladas de material plástico desde a década de 50, com cerca de 70% desse material sendo descartado de forma inadequada, causando diversos tipos de problemas ambientais. Em busca de mudar esse cenário, a Engepol, em parceria com a Petrobras, está desenvolvendo um projeto para reciclar todo o lixo plástico que chega na Cidade Universitária da Ilha do Fundão, visando transformar a UFRJ em um local com emissão zero de lixo plástico.
Em seguida, Susanne Hoffmann trouxe algumas perspectivas a respeito das iniciativas tomadas pela União Europeia a respeito da economia circular. Levando a sustentabilidade a sério, diversos países da Europa têm investido em ações para minimizar os impactos ambientais causados pelo descarte indevido de resíduos. Dentre os países citados está a França, que adotou um plano ambicioso de abolir o plástico de uso único. Nas Olimpíadas, que serão realizadas no próximo ano, até mesmo as latas para bebidas não serão permitidas.
“Todos ganham quando a sustentabilidade ganha. O que muitas empresas ainda não conseguem enxergar é que estamos todos no mesmo barco”, afirma Susanne.
Dando continuidade ao evento, Camila Costa, responsável pelo Núcleo de Sustentabilidade e Economia Circular (Nusec) do SENAI CETIQT, apresentou a área e as ações promovidas por ela que vêm impactando a sociedade, dentre elas, o Portal de Bioeconomia – uma plataforma digital sem fins lucrativos e de abrangência nacional que foi desenvolvida com o intuito de dar visibilidade e conectar os diferentes atores da bioeconomia no Brasil, sejam eles públicos ou privados.
Logo após, Aline Souza, Agente de Inovação da Inova UFRJ, trouxe alguns recortes dos estudos que vêm sendo desenvolvidos no Núcleo de Estudos Industriais e Tecnológicos (NEITEC). Durante a discussão, Aline apresentou os principais modelos de negócios identificados dentro da economia circular, dentre eles: agricultura regenerativa, logística reversa, simbiose industrial, chemical leasing, economia colaborativa e criativa, produto como serviço e waste-to-energy. Além de compartilhar os diversos tipos de setores que podem ser afetados pela economia circular como os de energia, cosméticos, embalagens, o setor alimentício, e outros.
Em seguida, os professores João Victor e Pedro Azevedo, apresentaram a Maré, uma marca concebida em 2015 que alia sustentabilidade e inovação para desenvolver produtos ecológicos. Os irmãos comercializam diversos produtos como óculos e relógios, a partir de materiais reciclados como pneus de bicicleta, lonas, madeira de demolição e tintas orgânicas. Durante a pandemia, a dupla resolveu assumir um novo desafio, colocando sua micro indústria em favor do combate ao vírus da Covid-19.
“Nós levamos nossas máquinas para dentro da PUC para produzir os EPIs que estavam em falta nos hospitais. Conseguimos distribuir 20 mil face shields, 7 mil óculos de proteção, 150 adaptadores para respiradores e 10 videolaringoscópios”, declara João Victor.
No que diz respeito às Políticas Públicas e Economia Circular, o Doutor Fabrício Soler, Consultor Jurídico da ONU, abriu a discussão trazendo um panorama sobre o desafio do Brasil na gestão de resíduos.
“O Brasil, de 5.530 municípios, aproximadamente 2.700 ainda encaminham tudo o que é gerado em seus territórios para os lixões. Então nós temos um desafio tremendo de cumprir com o marco regulatório do saneamento, eliminando os lixões do território nacional, assegurando o tratamento de esgoto… e o país ainda se apresenta com 35 milhões de brasileiros que não têm acesso a água tratada”, declara Fabrício.
O Consultor Jurídico ainda compartilha que o Brasil não possui uma política nacional sobre o assunto, tendo apenas dois projetos de lei no Senado, um projeto que trata especialmente de economia circular, e outro que se refere à economia circular do plástico.
Encerrando a edição, Diego Iritani, CEO da UpCycle, fala sobre como as empresas podem implementar modelos de negócios circulares. Diante de um contexto em que grande parte da cadeia produtiva ainda opera de forma linear, com foco na economia e no consumo, promovendo o retiro de recursos naturais que são descartados posteriormente, a economia circular surge como opção para evitar o esgotamento desses recursos.
Na ocasião, ele apresentou a Rota de Maturidade, uma plataforma gratuita disponibilizada pela CNI para que as empresas façam uma avaliação e recebam um diagnóstico sobre o grau de adoção de práticas de economia circular nos seus processos e produtos. A ferramenta foi desenvolvida em parceria com a USP e a consultoria da UpCycle.
Para os palestrantes, a promoção de um evento como o Simpósio de Economia Circular é capaz de gerar muitos frutos positivos para o futuro.
“Acho muito importante as oportunidades que um evento como esse proporcionam. Os ouvintes podem ampliar o seu conhecimento a partir dos conteúdos passados. É importante que a gente não pense que a economia circular é só reciclagem, porque é muito mais do que isso”, afirma Aline Souza.
Para o professor José Carlos, um dos gargalos mais importantes nas questões relacionadas à sustentabilidade, é a comunicação e a educação.
“O simples fato do tema ter sido discutido com a sociedade de uma maneira aberta, com um canal no YouTube, contribui muito com a divulgação e a formação das pessoas”, declara José Carlos.
Por fim, a Coordenadora de Curso no SENAI CETIQT de engenharia química, Erika Soto declarou: “Criar essa consciência nos futuros profissionais é muito importante, não somente para a carreira deles, mas para o meio ambiente”.
Sobre a Pós-Graduação de Economia Circular e Produção Sustentável
Nos últimos anos, a economia circular ganhou destaque como uma oportunidade excepcional para a indústria. Sua capacidade de fomentar a utilização mais eficaz e sustentável dos recursos naturais tem levado as empresas que adotam essas práticas a obter diversos benefícios. Isso inclui a redução de custos operacionais, uma otimização no uso de matérias-primas, o fortalecimento da lealdade dos clientes, aprimoramento da imagem corporativa, aumento na receita, contribuição para a criação de novos postos de trabalho, entre diversas outras vantagens.
Identificando esse contexto, com o apoio da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT), em parceria com Núcleo de Sustentabilidade e Economia Circular (NUSEC), como parte integrante das estratégias de negócios e operações da indústria têxtil brasileira, o SENAI CETIQT elaborou o curso de Pós-Graduação de Economia Circular e Produção Sustentável, que tem como objetivo formar profissionais capazes de atuar em processos produtivos sustentáveis, implementando o conceito de economia circular na cadeia produtiva, considerando aspectos regulatórios e técnicas mais limpas de produção.