Renda Veste encerra ciclo de formação com desfile que transforma tradição em moda autoral em Sergipe

Publicado por: Jaqueline Cruz | Data da publicação:02/07/2026 | Última atualização: 02/07/2026

Publicado por: Jaqueline Cruz | Data da publicação:02/07/2026
Última atualização: 02/07/2026

Após quase dois anos de formação conduzida pelo SENAI CETIQT, rendeiras dos principais polos de renda irlandesa do estado apresentaram 12 looks autorais em desfile na Vila do Forró, em Aracaju
 

A Vila do Forró, em Aracaju (SE), recebeu na última semana um desfile que colocou em evidência um dos símbolos culturais mais importantes de Sergipe: a renda irlandesa. O evento marcou o encerramento do projeto Renda Veste, iniciativa que uniu artesanato, design e mercado da moda em um processo de quase dois anos, resultando em 12 looks autorais assinados por rendeiras dos cinco principais polos produtores do estado.
 

A ação é fruto de uma parceria entre o SENAI CETIQT, o SENAI SE e o Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem). A equipe técnica do CETIQT conduziu todas as etapas do projeto, aplicando a expertise em pesquisa, desenvolvimento de produto e formação para a cadeia da moda.
 

Da ideia à passarela

O Renda Veste teve início em julho de 2024, reunindo artesãs de Divina Pastora, Laranjeiras, Maruim, Nossa Senhora do Socorro e Aracaju. O objetivo era abrir novos caminhos de mercado para a renda irlandesa, gerar renda para as artesãs e reforçar o valor desse patrimônio cultural sergipano, colocando-as no centro do processo criativo, e não apenas na execução manual das peças.
 

A ideia nasceu da observação de que artesãs costumam entrar no processo criativo apenas como executoras do trabalho manual, quando poderiam estar no centro das decisões desde o início. É o que explica Alexandre Bojar, consultor técnico do SENAI CETIQT: 


“Ao acompanhar projetos criativos, percebi que as artesãs influenciam muito o resultado final das coleções de estilistas e designers. Surgiu então a pergunta: e se elas participassem desde o início, se a inspiração, as ideias e as decisões de produto partissem do seu próprio repertório? Foi dessa reflexão que nasceu o Renda Veste Sergipe.”
 

Ao longo do processo, o SENAI CETIQT estruturou uma metodologia de pesquisa, experimentação e desenvolvimento de coleções, acompanhando as participantes em cada etapa, da construção do conceito criativo à finalização das peças. O percurso incluiu formação em pesquisa de tendências, desenvolvimento de produto, processos criativos e construção de coleção, sempre com o cuidado de preservar as características tradicionais da técnica.
 

Artesanato que ganha valor de mercado

Para Charllene Santos, consultora técnica do SENAI CETIQT, o principal ganho do projeto está na transformação vivida pelas próprias artesãs ao longo da capacitação: 


“Unindo a metodologia e todo o conhecimento técnico e ancestral das artesãs ao apoio de marcas de moda autoral do estado, foi bonito ver como elas se desenvolveram em seu trabalho, aprimoraram técnicas e acabamentos e aprenderam a dar um valor monetário maior ao próprio produto. Juntas, construímos um novo capítulo da moda territorial, com potencial para alcançar o mercado nacional e internacional, como a renda irlandesa merece.”
 

A fala reforça o papel da moda como ponte entre o saber tradicional e novas oportunidades de mercado, visão também compartilhada por Thaís Britto, coordenadora de Moda e Design do Instituto SENAI de Tecnologia do SENAI CETIQT, para quem o Renda Veste evidencia como o design pode agregar valor ao trabalho artesanal, conectando rendeiras a marcas autorais sergipanas e ampliando sua autonomia econômica.
 

Reconhecimento e continuidade de um patrimônio vivo

A renda irlandesa produzida em Sergipe é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 2008. Projetos como o Renda Veste, conduzidos com a metodologia do SENAI CETIQT, dão a esse patrimônio novas frentes de visibilidade e sustentabilidade econômica, aproximando o fazer artesanal do universo da moda e estimulando o protagonismo das artesãs na criação de produtos autorais.
 

Para o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, o desfile de encerramento marcou um momento histórico para o estado: 


“As nossas rendeiras, que produzem a renda irlandesa, patrimônio cultural imaterial brasileiro, tiveram a oportunidade de aprender durante quase dois anos com o SENAI CETIQT, entendendo mais sobre moda e conectando esse universo à sua arte, à sua cultura e à identidade sergipana. O resultado foi o que vimos: 12 looks que encantaram o público e mostraram que a nossa história também pode ser contada por meio da moda.”